31 de janeiro de 2007

O assunto do momento

É incontornável! Não podemos evitar! Não conseguimos fugir ao assunto em que meio mundo fala e o outro meio ignora!

Estamos naturalmente a falar do referendo à Interrupção Voluntária da Gravidez!
Parece-nos mais um circo daqueles montados pelos palhaços do costume. Uns de um lado aos pulos a dizer que são pelo NÃO porque se trata de uma vida, mas se for um feto mal formado ou fruto de uma violação já não é bem assim (sim já ouvimos barbaridades deste género!). Outros a achar que isto é a "casa da mãe Joana" e gritam vivas à liberdade, como se fosse possível decidir uma coisa destas "à 25 de Abril"!
Honestamente, tudo nos parecem falsas questões. Não vamos fazer um referendo porque é preciso mudar a lei, mas sim porque estava no programa do governo. E parece mal ter prometido festa com fogo de artifício (aqui sob a forma de "pancada" televisiva) e agora não dar ao povo o que o povo gosta. Ninguém parece preocupar-se com ninguém! O aborto enquanto questão de saúde, questão moral ou religiosa, questão de interesse do casal, da mulher ou da criança desapareceu e deu lugar à "politiquice" do costume, em que todos falam, falam, falam e ficamos todos na mesma.

Gostávamos de uma vez na vida ouvir os portugueses debater problemas antes de eles acontecerem. Isto é, em vez de passarmos dias e dias a degladear-nos para decidir o que é punível ou não depois de já não haver mais remédio, gostava de ver aqueles pais de famílias numerosas, os leigos e religiosos, o pessoal da liberdade de escolha e das clínicas equipadas discutir assuntos como o planeamento familiar, pílulas e preservativos e outros métodos contraceptivos e a educação dos jovens e crianças para uma sexualidade responsável.

Liberalizar ou penalizar é indiferente quando não há uma política preventiva, quando se alimenta a vergonha e o embaraço das pessoas em todas estas questões, quando ainda existem sítios em que a caixa da pílula na farmácia já vem embrulhada dos arrumos para que nenhuma alma se aperceba no sacrilégio que é tomá-la. Vão ficar os Delegados de Saúde nos seus belos gabinetes pagos pelo erário público à espera que alguém faça um aborto para depois sim dizer "ah...mas tem outras opções!"?

Pensamos que se o NÃO levar a melhor, continuamos a massacrar aquelas desgraçadas que realmente não tiveram outra opção e que tiveram que se entregar às mãos sujas de uma qualquer interesseira que as deixa na falência e com dívidas a meio mundo, e que além de lhes tirar o feto, lhes arranca um pedaço da alma pela forma desumana como lidam com o assunto.

Por outro lado, se o SIM sair vencedor e avançarmos para a lei da forma como ela está redigida, corremos o sério risco de termos a Interrupção Voluntária da Gravidez na lista dos contraceptivos mais usados em Portugal. É que há sempre quem continue a assumir os seus actos, outros haverá que usarão este novo serviço ao dispor do utente da forma leviana e inconsciente.

É uma decisão difícil...

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